Criticando ‘Lucy’ : A gorilla onipotente e onipresente

A vida nos foi concedida a um bilhão de anos atrás. E agora você já sabe o que fazer com ela.

Lucy é um filme de ficção científica dirigido e roteirizado por Luc Besson, o mesmo director por trás de Léon – O Profissional (1994), O Quinto Elemento(1997) & Valerian e a Cidade dos Mil Planetas(2017). O elenco principal conta com a Scarlett Johansson como o personagem-título, e Morgan Freeman como professor Samuel Norman.

Em Lucy, Luc Besson trás um “tema original” fora de pauta para os relés mortais, com uma análise e ideias interessantes sobre o uso do cérebro, mesmo fazendo o uso do mito de que os seres humanos usam 10% do cérebro…e que se por algum motivo poderem usar 100% da sua capacidade cerebral, a onipresença e a omnisciência é o caminho.

E falando em drogas e usos do cérebro, o dito “tema original” do Besson, lembra Limitless/ Sem Limites (2011) de Neil Burger,  onde o protagonista ganha super inteligência e sentidos aguçados após consumir uma droga de nome NZT-48, que permite que o cérebro que normalmente é usado em 20% de seu limite, passe a ser usado em 100%.

Sem Limites 2011
Capa do filme “Sem Limites”

Do que se trata?

A trama de Lucy é centrada num infortúnio que  coloca a protagonista, Lucy (Scarlett Johansson), numa posição em que servirá de mula de drogas carregando uma substância fora do comum no seu estômago, uma nova droga sintética chamada CPH4. No entanto, após uma série de acontecimentos seu corpo absorve as substâncias que vão se espalhando pelo organismo gradativamente conferindo-a a cada estágio superpoderes como a telepatia, a telecinese, capacidade de viagem no tempo, capacidade de adquirir conhecimento instantaneamente, assim como a capacidade de poder optar em sentir a dor e outros desconfortos físicos e emocionais.

O filme se desenrola de uma forma bastante interessante, os 90 minutos foram bem aproveitados e em momento algum a narrativa fica entediante (salvo se tiveres visto o filme mais de uma vez); O roteiro é preciso, breve e sem humor ou referências forçadas. Os diálogos e as expressões faciais são quase que naturais. 

Morgan e Scarllet

A fotografia é simplesmente linda, a mistura de exóticas ilustrações com o comum e a ficção prenderão sua total atenção, e não necessariamente precisa gostar de ciência para entender ou gostar, pois ele é focado. Se tem algo melhor que a fotografia do filme, talvez as atuações, algo já esperado do nosso velho desde o dia que lhe conheci (Morgan Freeman) e a nossa vingadora (Scarlett Johansson).  Por outro lado, os efeitos especiais e a trilha sonora foram fracos. Alguns efeitos não eram tão agradáveis de se ver, pareciam estar lá apenas para prolongar a duração do filme. A trilha sonora até que combina, ajuda no clima, no entanto nada memorável, logo depois do filme voce mal conseguira lembrar-se dela.

Teorias e mensagens secundárias

Outro ponto não menos importante do filme é o pano do fundo. Que aparentemente gira em torno da teoria da evolução e na mesma crítica arduamente a ciência e as suas leis matemáticas. 

Os seres humanos se acham únicos, e sua própria existência depende desta unicidade. Um é uma unidade de medida, mas está errado. Todo o sistema social está construído em conceitos similares à certeza de que 1 + 1 = 2…mas 1 + 1 nunca é igual a 2.De fato, não há números, ou letras. Codificamos a nossa existência pra fazê-la do tamanho humano…para torná-la compreensível.Criamos escalas para esquecer a sua imensurável escala…os seres humanos não são a unidade de medida e o mundo não está sujeito a leis matemáticas. O tempo da legitimidade a nossa existência. Tempo é a única verdade, a medida final.  Ele atribui sua existência à matéria, sem o tempo nós não existimos.” 

Lucy encontra Lucy
Lucy encontra Lucy 🙊

Uma curiosidade também é que o título do filme é referência a Lucy, um hominídeo afarensis que foi descoberto em 1974, no deserto de Afar, na Etiópia quando uma equipe de arqueólogos fazia escavações. O hominídeo aparece logo na abertura do filme, bebendo água… Além da Lucy 🙊, também  temos uma mixagem de cenas alternando entre seres humanos e o reino animal (Lucy vs Mafia/ Presa vs Tigres ) , uma analogia ou metáfora as semelhanças comportamentais entre os humanos e os animais.

Em suma, Lucy é um óptimo filme, da para assistir com qualquer pessoa acima dos 16 anos (tem sangue, violência, drogas…). Contém alguns clichês de ação como é o caso do traficante indignado porque sua mula fugiu com seu produto. No entanto, o facto é que este poderia facilmente ser o filme favorito de alguém.

Deixem nos comentários o que acharam da crítica e dêem as vossas sugestões do que gostariam que criticassemos a seguir.

Lucy — França, 2014


Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Elenco:  Scarlett Johansson, Morgan Freeman
Duração: 90 min | Classificação Indicativa: 16 Anos
Produtora: EuropaCorp | Distribuidora: Universal Studios | Orçamento: US$ 40.0M | Bilheteria: US$ 458.0M

1-Abismal😠|2-Horrível😐|3-Ruim😩|4-Okay😞|5-Medíocre😤|6-Aceitável😏|7-Bom😊|8-Óptimo🙂|9-Excelente😋|10-Incrivel😍


Lucy

7.7

Verso Points

7.7/10

Prós

  • Óptimo elenco e atuação
  • Fotografia excelente
  • Narrativa dinâmica
  • Pano de fundo interessante

Contras

  • Trilha sonora não memorável
  • Alguns efeitos especiais fracos